Natal sem Luz: esse é o desejo dos patrões para os terceirizados da Coelce/Enel

CCT dos Terceirizados da Coelce/Enel: empresas mantêm proposta desrespeitosa e tentam desqualificar movimento grevista da categoria
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Não vamos recuar! Primeiro dia de greve mostra a força dos terceirizados da Coelce/Enel
14 de dezembro de 2020

Os patrões empurraram os terceirizados para a greve. Na segunda mediação com o Ministério Público do Trabalho (MPT), realizada emergencialmente neste domingo (13/12), as empresas prestadoras de serviço da Coelce/Enel apresentaram mais uma proposta completamente inaceitável, que logo foi rejeitada categoricamente pelo Sindeletro na mesa de negociação. Entre outros pontos: um reajuste salarial vergonhoso de apenas 4,5% e a imposição de uma cláusula que facilita o descumprimento da convenção.

Proposta patronal
– Reajuste salarial de 4,5%, apenas 0,2% acima da inflação, rebaixando o salário da categoria em relação ao acordo de 2018 e reduzindo o poder de compra dos trabalhadores. Essa proposta deixa ainda mais distante a meta da categoria de ter um piso salarial equivalente a dois salários mínimos.

– Vale refeição de apenas R$ 17,00 em 2020 e R$ 18,00 em 2021. Um reajuste ínfimo e que não dialoga com a alta desenfreada dos preços nos supermercados.

– Multa por descumprimento da convenção: essa cláusula inibe o descumprimento da CCT; atualmente, o valor da multa é de 50% do Piso Salarial Mínimo da Categoria (após sofrer rebaixamento em acordos anteriores). Agora, as empresas querem estabelecer um valor máximo para a multa e ainda criar um comitê patronal para avaliar os supostos descumprimentos antes que o Sindeletro os questione na Justiça. Com essa proposta absurda, o Sindeletro só poderia ingressar com ações judiciais nesses casos depois que o problema passasse pelo crivo dos patrões.

– As empresas querem tirar das cláusulas sociais, como as rescisões contratuais, o pagamento retroativo do reajuste. Atualmente, todas as rescisões feitas entre a data-base e o fechamento do acordo têm direito ao percentual conseguido na convenção coletiva, pago retroativamente. Com a proposta das empresas, esse retroativo acabaria.

A avaliação do Sindeletro é de que, mais uma vez, as empresas não estão fazendo nenhum esforço para resolver a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). As negociações já se arrastam há quase um ano e nenhuma proposta apresentada até o momento foi justa e compatível com o merecimento e os anseios dos trabalhadores – principalmente quando se trata de um ano de pandemia, tendo em vista que a categoria se arriscou em dobro para garantir os lucros dos patrões.

Primeiro dia de greve – Nesta segunda-feira (14/12), os trabalhadores terceirizados entraram em greve geral em todo o estado do Ceará. O movimento paredista foi deliberado e aprovado em assembleia realizada no último dia 08/12. É hora de mostrar para o patronal a força dos terceirizados! A categoria precisa do engajamento de todos na greve para pressionar as empresas e arrancar melhorias na proposta. Com unidade e respeitando os limites da lei, podemos fazer um movimento histórico!

 

Baixe este boletim em PDF: Boletim – Natal sem Luz – 1º dia – greve terceirizados – 14.12.20