Na última quarta-feira (09/12), aconteceu mediação com o Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre as negociações da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos terceirizados da Coelce/Enel. A reunião, que foi solicitada pelo Sindeletro, não resultou em avanços significativos e foi marcada pela insistente intransigência do Sindienergia (sindicato das empresas) em retirar direitos históricos conquistados na convenção. O encontro aconteceu um dia após a categoria decretar greve geral a partir do dia 14/12 a fim defender a manutenção dos direitos. Os patrões estão apostando no insucesso do movimento grevista.
As empresas travaram o andamento da negociação quando condicionaram o fechamento do acordo à retirada de duas cláusulas essenciais para os trabalhadores: a garantia da assistência do sindicato nas homologações das rescisões contratuais e o desconto assistencial único quando da assinatura da convenção. Estes dois itens estão sendo atacados pelos patrões, mas o Sindeletro reforçou que não abrirá mão de nenhum deles.
Além disso, as empresas oferecem: reajuste de apenas 4,3% nos salários e no tíquete alimentação (antes o índice era 4%, única alteração na proposta); tirar o tíquete de almoço em viagem a trabalho com distância superior a 100 km; alterar o acréscimo de tíquete alimentação a partir de quatro horas extras trabalhadas para um novo tíquete a partir de seis horas extras; mudar data-base da categoria para abril; tornar de apenas um ano a vigência da convenção; parcelar em 3 vezes o pagamento do retroativo; e dificultar o acesso ao vale combustível.
O Sindeletro deixou claro, mais uma vez, que a proposta é totalmente prejudicial aos trabalhadores, que defende a manutenção de todas as cláusulas atuais com reajustes satisfatórios nos itens econômicos/financeiros e que não aceitará nenhum acordo que desrespeite a categoria. Mesmo sob a pressão dos trabalhadores e a intervenção do MPT, o Sindienergia (patronal) não recuou e manteve a proposta quase inalterada.
Além de insistirem nessa proposta absurda, as empresas ainda tentaram intimidar a representação dos trabalhadores ao insinuar que o movimento grevista da categoria não seria expressivo. Os patrões estão desafiando os trabalhadores e desacreditando na força da categoria para se mobilizar. A aposta deles é na falta de capacidade dos terceirizados em realizar uma greve de impacto.
O Sindeletro reafirmou que a deflagração do movimento foi consequência da intensa insatisfação dos trabalhadores, acumulada ao longo de 11 meses de descaso patronal nas negociações – lembrando que greve é direito constitucional e instrumento de luta quando os patrões insistem em não atender as demandas da categoria. O sindicato se colocou à disposição das empresas e do MPT para dar continuidade à negociação a qualquer momento.
Baixe este boletim em PDF: Boletim – Terceirizados Reunião com MPT – 11.12.20