Terceirizadas seguem oferecendo reajuste abaixo da inflação e categoria reforça defesa de direitos

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Na última semana, dia 14/10, o Sindeletro e o Sindienergia (sindicato patronal) estiveram reunidos para dar continuidade às negociações da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos terceirizados. As empresas apresentaram mudanças em algumas cláusulas, mas a proposta se mantém insatisfatória. Os trabalhadores seguem resistindo à retirada de direitos e insistindo em ganho real nos salários.

Entre os pontos modificados na proposta patronal, está o reajuste salarial de 4% (a proposta anterior era 3,5%), mantendo-se abaixo da inflação. O Sindeletro reforçou a demanda da categoria por um reajuste que não só cubra a inflação como também garanta ganho real. Outros dois pontos importantes que o sindicato se posicionou radicalmente contra: implantação de banco de horas e retirada da assistência sindical nas rescisões contratuais.

Na próxima reunião, que estava agendada para esta quarta-feira (21) e foi adiada pelas empresas para o dia 28/10, o Sindeletro deverá apresentar uma contraproposta que atenda, minimamente, os anseios dos trabalhadores. Enquanto isso, a categoria precisa se manter mobilizada para mostrar sua unidade e defender seus direitos dos ataques patronais.

Propostas patronais modificadas:
– Vigência e data-base: empresas insistem que o acordo seja válido somente por um ano, propondo agora mudança da data-base para abril, mas abriram possibilidade de renegociar a vigência de dois anos para o acordo seguinte;
– Reajuste Salarial: 4% (proposta anterior era 3,5%) – ainda abaixo da inflação;
– PSMC (Piso Salarial Mínimo da Categoria): R$ 1065,00 (proposta anterior era R$ 1050,00);
– Tíquete Alimentação: aumento de R$ 0,64 (proposta anterior era de R$ 0,56);
– Escala de revezamento: as empresas afirmam que estão negociando entre si e devem apresentar proposta;
– Trabalho extraordinário: compensação proporcional no segundo mês subsequente (atualmente, é no primeiro mês subsequente).

Outras propostas patronais:
– Pagamento do retroativo parcelado em três vezes e não mais integralmente no mês seguinte ao fechamento do acordo;
– Exclusão do pagamento de almoço do trabalhador que fizer viagem a trabalho com distância superior a 100 km;
– Alteração do acréscimo de tíquete alimentação a partir de quatro horas extras trabalhadas para um novo tíquete a partir de seis horas extras;
–  Inclusão de cláusulas que dificultam o acesso ao vale combustível, como a necessidade de apresentar justificativa à empresa e provar que o trabalhador é proprietário do veículo;
– Retirada da garantia da assistência prestada pelo Sindeletro nas rescisões contratuais, dificultando que os trabalhadores possam cobrar eventuais valores não pagos pelo empregador até o momento da demissão;
– As empresas se negam a discutir cláusulas sobre PLR e jornada de trabalho, além de negar a proposta dos trabalhadores de aumentar reajuste para as gratificações de função.

 

Leia este Boletim em PDF: BOLETIM – Negociação Terceirizados – 21.10.20