Mais uma rodada de negociação entre Sindeletro e Coelce que frustra as expectativas dos trabalhadores e trabalhadoras. Na reunião, que aconteceu quinta-feira (15/12), a empresa manteve a última proposta apresentada: com parcelamento do reajuste salarial (o que, na prática, sequer cobre a inflação) e abono de R$ 3.555,00. Houve mudança apenas nas cláusulas sobre ticket alimentação/refeição e seguro de vida, mas que não indicam avanços relevantes. Nova reunião está agendada para o dia 5 de janeiro. O momento exige mais paciência, união e mobilização para mostrar a insatisfação da categoria.
A proposta reapresentada pela empresa prevê reajuste de 6,46% (INPC) parcelado em duas vezes, sendo 3% em novembro e 3,46% em janeiro de 2023. Este parcelamento faz com que o reajuste, na prática, não recupere de fato a inflação do período. O Sindeletro não concorda com o parcelamento, mantém a reivindicação de 100% do INPC e reforça a necessidade de ganho real. Para compensar o parcelamento, a empresa também manteve a proposta de pagar o valor correspondente a 11,21% sobre o salário-base+ verbas fixas. Sobre o abono, também foi mantido o valor de R$ 3.555,00 no primeiro e no segundo ano do acordo (com reajuste pelo INPC somente no segundo ano).
A empresa propôs mudança em apenas dois pontos: menos de 0,5% de reajuste no ticket alimentação/refeição, ficando no valor de R$ 42,72 a unidade (antes a proposta era de reajuste somente pelo INPC); e isenção do trabalhador na contribuição para o seguro de vida, arcando a empresa com 100% do valor. O Sindeletro defende ticket alimentação no valor de R$ 48,00 e avalia que a proposta segue insatisfatória, não atendendo as expectativas da categoria.
Vale lembrar que a Coelce lucrou R$ 309 milhões somente no primeiro semestre de 2022, demonstrando que tem saúde financeira de sobra para garantir avanços concretos no acordo com os trabalhadores.
Sindeletro apresenta contraproposta
Na tentativa de avançar no processo negocial e viabilizar o fechamento do novo ACT, o Sindeletro ajustou algumas reivindicações:
– Reajuste salarial: ganho real (acima da inflação) de 2,3% (reivindicação anterior: 2,5%)
– Abono de R$ 5.500,00 (reivindicação anterior: R$ 6.000,00)
– Auxílio Educação: R$ 400,00 (reivindicação anterior: R$ 450,00)
– Auxílio Creche: faixa etária de 3 a 10 anos (reivindicação anterior: 3 a 11 anos)
– Ticket alimentação/refeição: R$ 48,00 (reivindicação original da pauta: R$ 60,00)
Diárias em avanço
O tema, mais uma vez, foi abordado e está sendo construído um consenso entre as partes. A empresa concorda com a reivindicação do Sindeletro sobre unificar as normas e garantir meia diária para todos os trabalhadores, sem distinção entre novos e antigos e com reajuste periódico anual. A empresa propôs reajuste a partir de janeiro e o sindicato defende que seja na data base da categoria (1º de novembro). O valor de R$ 36,00 foi mantido.
Também foi mantida a proposta sobre o critério de quilometragem e, após muito debate e alguns vaivéns na negociação, o Sindeletro conseguiu fazer com que a empresa revisasse as distâncias, chegando a uma importante redução: o deslocamento deve ser da base para outra localidade e somar (ida + volta) 80km (Região Metropolitana de Fortaleza) e 60km (Interior). Inicialmente, a empresa propôs 100km e 80km, respectivamente, e o sindicato reivindicava 50km para todos.
A empresa pretende implementar o novo sistema de diárias em janeiro e, caso esse acordo seja fechado, se comprometeu a apresentar no mesmo mês uma proposta sobre o pagamento de um valor compensatório – uma reivindicação do Sindeletro para reparar financeiramente os trabalhadores prejudicados pela falta de reajuste nas diárias, que estão congeladas desde 2013. Em contrapartida, se houver essa compensação financeira, o sindicato irá retirar a ação judicial sobre o tema.