Não vamos recuar! Primeiro dia de greve mostra a força dos terceirizados da Coelce/Enel
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Categoria na luta em Limoeiro e Fortaleza.

Os terceirizados da Coelce/Enel fortalecem o movimento grevista neste terceiro dia (16/12) e a paralisação ganha força em todo Ceará. O recado da categoria chega forte aos ouvidos dos patrões e da população: queremos trabalhar, mas as empresas querem nos explorar. O Sindeletro convoca todos os trabalhadores a unirem suas forças para aumentar a pressão em cima do patronal e cobrar uma proposta digna! A greve está dentro da legalidade e vai continuar.

Quantitativo em atividade – Nesta terça-feira (15), a Justiça do Trabalho concedeu decisão liminar às empresas terceirizadas determinando os seguintes percentuais mínimos de trabalhadores em atividade: 65% nos serviços emergenciais e 60% nas demais atividades. O Sindeletro reforça que decisão judicial deve ser cumprida, como sempre fazemos, e que, portanto, A GREVE CONTINUA. Seguiremos em luta até que as empresas ofereçam percentuais dignos aos terceirizados.

É inaceitável um reajuste de 4,5% nos salários e de R$ 1,00 no tíquete alimentação para um salário já esmagado pela inflação – fato que só se aprofundará nos próximos dois anos, caso o movimento grevista não arranque dos patrões um aumento decente agora. Vale ressaltar que, somente no último ano, a cesta básica ficou 36,26% mais cara – segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

ENTENDA O PORQUÊ DA GREVE:

– Reajuste salarial de 4,5%, apenas 0,2% acima da inflação (o que representa somente R$ 2,93 de ganho real para eletricista), rebaixando o salário da categoria em relação ao acordo de 2018 e reduzindo o poder de compra dos trabalhadores. Essa proposta deixa ainda mais distante a meta da categoria de ter um piso salarial equivalente a dois salários mínimos.

– Vale refeição de apenas R$ 17,00 em 2020 e R$ 18,00 em 2021. Um reajuste ínfimo de apenas R$ 1,00 que não representa nada diante da alta desenfreada dos preços nos supermercados.

– Multa por descumprimento da convenção: essa cláusula inibe o descumprimento da CCT; atualmente, o valor da multa é de 50% do Piso Salarial Mínimo da Categoria (após sofrer rebaixamento em acordos anteriores). Agora, as empresas querem estabelecer um valor máximo para a multa e ainda criar um comitê patronal para avaliar os supostos descumprimentos antes que o Sindeletro os questione na Justiça. Com essa proposta absurda, o Sindeletro só poderá ingressar com ações judiciais nesses casos depois que o problema passar pelo crivo do sindicato patronal, ou seja, teremos que pedir “autorização” aos patrões para defender você.

– As empresas querem tirar das cláusulas sociais, como as rescisões contratuais, o pagamento retroativo do reajuste. Atualmente, todas as rescisões feitas entre a data-base e o fechamento do acordo têm direito ao percentual conseguido na convenção coletiva, pago retroativamente. Com a proposta das empresas, esse retroativo acaba.

Baixe este boletim em PDF: Boletim Sindeletro – A greve continua – 3º dia – 16.12.20