
Sindeletro e Enel voltaram à mesa de negociação nos dias 10 e 11/12, completando a quarta rodada da campanha. A empresa apresentou proposta rebaixada que afronta e desrespeita as necessidades da categoria. Sem ganho real nos salários e no piso salarial, sem gratificação por função dupla, sem avanços no plano de saúde e nas diárias e com retrocesso no abono. A Enel afirma que a pauta aprovada pelos trabalhadores está elevada e foge à realidade do mercado – ignorando a dura realidade do seu próprio trabalhador que precisa urgentemente ser valorizado para recuperar seu poder de compra. Entenda a seguir o que ocorreu nos dois dias:
No primeiro dia de negociação (10), a Enel apresentou a seguinte proposta:
– Reajuste salarial sem ganho real, somente com a correção da inflação (pelo INPC) e ainda parcelado. O Sindeletro rejeitou a proposta e reafirmou a necessidade de ganho real nos salários.
– Piso salarial também somente pelo INPC. O Sindeletro defendeu o piso de R$ 3.250,00 (valor apresentado na pauta reivindicações), destacando que esse item é fundamental para resgatar o poder de compra da categoria, impactando diretamente no bolso do trabalhador, já que o atual piso está em apenas R$ 1.890,00.
– Vale alimentação/refeição: a empresa propôs o valor ajustado somente pelo INPC, ficando em R$ 47,00 por tíquete (na pauta, os trabalhadores pediram R$ 70,00). O Sindeletro afirmou que o valor é insuficiente e levou uma contraproposta no dia seguinte (ver logo mais abaixo).
– Reajuste também somente pelo INPC nos demais benefícios econômicos.
– A empresa descartou o pagamento da gratificação por função dupla. O Sindeletro reforçou essa reivindicação por ser uma demanda importante para a categoria, principalmente para os novos contratados.
– Sobre o abono salarial, a Enel não apresentou nenhum valor, mas instigada pelo Sindeletro, a empresa chegou a mencionar a redução do abono que ocorreu no Rio de Janeiro. Além disso, já propôs uma metodologia em que o pagamento seria proporcional ao tempo de trabalho na empresa, a partir da data de admissão do trabalhador. O Sindeletro rejeitou tanto a possibilidade de redução no valor como a metodologia da proporcionalidade, por ser discriminatória e injusta, defendendo que todos sejam tratados de forma isonômica, sem qualquer distinção.
Plano de Saúde
O Sindeletro ainda destacou que a empresa precisa rever urgentemente a atual forma de custeio no plano de saúde, que está inviável para o trabalhador. Com salários baixos e defasados, a categoria não consegue assumir os custos de manter o benefício.
No segundo dia de negociação (11), contrariando mais uma vez as expectativas dos trabalhadores, o debate não avançou como o esperado. A Enel culpou o aumento dos gastos com a folha de pagamento pela inviabilidade de melhorar a proposta nas cláusulas econômicas. A empresa deveria, na verdade, investir na valorização do trabalhador na mesma medida em que investe nas novas contratações, se responsabilizando por manter a categoria como um todo em boas condições de trabalho.
Vale combustível
Essa reivindicação foi negada pela Enel no primeiro dia e, no segundo dia, foi reforçada pelo sindicato para atender os trabalhadores sem acesso a transporte público para chegar ao trabalho. A empresa precisa compreender que essa cláusula é fundamental para uma parcela considerável da categoria.
Contraproposta do sindicato
Na tentativa de destravar a negociação, o Sindeletro reformulou a proposta de algumas cláusulas, mas sempre vinculando com a valorização do piso salarial e com o ganho real nos salários para que o trabalhador não seja prejudicado. Confira:
Vale alimentação: o Sindeletro lançou contraproposta no valor de R$ 62,00 (na pauta, a reivindicação inicial era de R$ 70,00).
Adicional de Penosidade: o Sindeletro lançou contraproposta de 10% (na pauta, a reivindicação era de 15%).
Auxílio Creche: o Sindeletro lançou contraproposta de R$ 905,00 para creche escola e de R$ 890,00 para creche especial/babá (na pauta, a reivindicação inicial era de R$ 1.025,00 e R$ 930,00, respectivamente).
Gratificação de Transferência: o Sindeletro lançou contraproposta no valor de R$ 1.520,00 (na pauta, a reivindicação inicial era de R$ 2.400,00 e a empresa havia proposto R$ 1.476,00).
MOBILIZAÇÃO CONTINUA
A Enel se comprometeu a analisar esses pontos da contraproposta e nova rodada de negociação ficou agendada para os dias 15 e 16 de janeiro de 2025. O Sindeletro espera que a empresa traga avanços reais nas cláusulas que impactam no bolso do trabalhador, que melhoram suas condições de trabalho e, consequentemente, sua qualidade de vida. A categoria precisa ser escutada e atendida! Vamos seguir unidos e mobilizados para conquistar um acordo justo e digno para todos!