A cada reunião, sem qualquer constrangimento, as empresas terceirizadas da Enel Ceará reforçam o desinteresse pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Nesta quarta-feira (08/05), aconteceu mais uma rodada de negociação (onde nada foi negociado) e as empresas apresentaram apenas uma “proposta”: suspender as negociações até que seja decidido pela justiça federal a ação proposta pelas empresas para continuar com a desoneração da folha de pagamento. Isso é desculpa para fugir do compromisso com seus trabalhadores. O Sindeletro quer negociar, mas os patrões seguem usando manobras para adiar o fechamento do acordo. Enquanto isso, a categoria fica sem garantia de direitos e sofrendo as consequências reais da desvalorização salarial.
Negociação precisa continuar! Diante da recusa do sindicato patronal em prosseguir com a negociação, o Sindeletro manifestou seu repúdio à suspensão das negociações, enfatizando que, independente de políticas e conjunturas econômicas, as negociações devem ser mantidas para buscar avanços. Há quase 3 anos, os terceirizados estão sem convenção que proteja seus direitos por puro descaso das empresas, que sempre levantam obstáculos que travam as negociações. Não dão reajuste com ganho real para recuperar poder de compra da categoria (mas os lucros ficam resguardados), não aceitam as homologações do sindicato nas rescisões contratuais (mas os trabalhadores desligados podem ficar sem a devida assessoria), não tratam com urgência a regularização das escalas (mas os trabalhadores podem ficar sem descanso com jornadas exaustivas). Esse cenário é a materialização do desrespeito com o trabalhador. Diante da manifestação do Sindeletro, o sindicato patronal se comprometeu a sinalizar uma nova data de reunião no dia 20/05.
Mobilização já! Diante do descaso das empresas, a única saída é a mobilização dos trabalhadores na construção de um movimento que transmita a força e o descontentamento da categoria. Os terceirizados têm história e sabem que somente a luta organizada garante vitórias. Não podemos esquecer os movimentos de 2005, 2007, 2012 e 2020. Em 2012, por exemplo, foram 15 dias de greve que garantiram 5% de ganho real. A categoria sabe fazer a luta acontecer! A própria CCT é resultado dessa união.
Enel/Coelce também é responsável
A Enel Ceará, como contratante dessas terceirizadas, deveria exigir que toda prestadora de serviço assine acordo ou convenção que resguarde os direitos dos trabalhadores. Também deveria exigir que essas prestadoras valorizem o papel do sindicato na assistência ao trabalhador desligado, garantindo que toda rescisão contratual seja homologada pela entidade. São medidas que valorizam o trabalhador e o trabalho sindical. Mas as empresas não são cobradas quanto a isso e acabam desprezando a própria mesa de negociação. Portanto, o Sindeletro avalia que a Enel Ceará é co-responsável por esse descaso.