Greve na Acender: empresa ajuíza dissídio de greve e audiência será amanhã na Justiça do Trabalho

Greve na Acender: movimento vence pressão da empresa e ganha força no segundo dia
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Terceiro dia de greve: Sindeletro ao lado de trabalhadores da Acender em Canindé (CE).

Os trabalhadores da Acender, empresa terceirizada da Coelce/Enel, entraram no terceiro dia de greve nesta quinta-feira (15/06). Diante da recorrente falta de compromisso da empresa com suas obrigações trabalhistas, a categoria resolveu paralisar as atividades no Ceará até ter a garantia de que serão regularizados os pagamentos das horas extras e do FGTS, além de que haverá mudança da escala exaustiva de 4×1 para 4×2. A empresa, ao invés de solucionar definitivamente os problemas, acionou a Justiça do Trabalho com pedido de dissídio de greve. A audiência de conciliação será realizada amanhã (16/06) às 15h no Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região.

Alegando abusividade da greve e o caráter essencial dos serviços, a empresa solicitou à Justiça que 95% do setor emergencial e 90% dos demais setores voltassem ao trabalho. A Justiça não declarou abusividade da greve, mas ordenou que se mantenha em efetiva atividade 65% do emergencial e 60% dos demais setores de cada município (sob pena de multa diária de R$ 50 mil para o sindicato)  – além de agendar a audiência de conciliação para esta sexta-feira a fim de tentar algum acordo entre as partes.

O Sindeletro ressalta que abusiva é a prática da empresa de não pagar, há meses, direitos básicos dos trabalhadores que estão honrando com seus deveres diariamente. Essencial é que cada trabalhador seja devidamente remunerado pelo seu trabalho. É importante lembrar que a empresa não cumpriu sequer acordo firmado junto ao Ministério Público do Trabalho. Esses foram os motivos que levaram a categoria a deflagrar a greve: a total falta de compromisso da Acender.

Na avaliação do Sindeletro, a determinação da Justiça ainda assim fere o direito de greve, não só pelo percentual mínimo de efetivo trabalhando como também pela previsão de uma multa desproporcional. Enquanto isso, o patrão, que não paga o FGTS há cerca de dois anos e também não paga horas extras, segue ileso sem qualquer multa e consegue uma brecha na Lei de Greve para se beneficiar.

Além de os grevistas já estarem atendendo prontamente à população nos chamados de emergência com risco de vida, teve-se a notícia de que tanto o efetivo próprio da Coelce como da B&Q (outra prestadora) foram remanejados para cobrir os serviços que estavam paralisados na região – na tentativa de amortecer o impacto do movimento e desmobilizar a categoria.

Nenhum direito a menos!
Independente das investidas patronais contra a mobilização dos trabalhadores, é fundamental manter a união neste momento! Vamos juntos exigir o que é de direito e cobrar a responsabilização da Acender e da Coelce. O Sindeletro manterá a categoria informada sobre os desdobramentos do movimento e sobre a audiência de amanhã.