No último dia 10 de maio, Tenisson de Jesus, eletricista da Essencial Transporte, empresa terceirizada da Chesf, morreu após cair acidentalmente da torre em que realizava serviço na Subestação Jardim em Sergipe. Esta já é a segunda morte, pela mesma causa, em menos de três meses. O Sindeletro, ao lado da Frune e demais entidades representativas dos trabalhadores, reforçam o alerta sobre o impacto negativo da privatização e da terceirização na vida do trabalhador.
A história se repete – O aumento do número de acidentes fatais está relacionado à política adotada pela Chesf/Eletrobras focada na diminuição de gastos, historicamente comum em empresas privatizadas. O resultado disso é sobrecarga de trabalho devido à redução no quadro de pessoal, alta cobrança e pressão por produtividade e falta de treinamento e de equipamentos adequados. Tudo isso expõe o trabalhador a um maior nível de insegurança – cenário de precarização que se agrava ainda mais quando olhamos para a realidade do trabalhador terceirizado.
Vale ressaltar que a Chesf vem sendo cobrada de forma mais rigorosa pela Eletrobras, em comparação às demais empresas, quanto aos indicadores de despesas com PMSO (Pessoal, Material, Serviços e Outros). O índice exigido é muito mais severo do que é proposto como base pela própria ANEEL. A Chesf, portanto, que tem a menor folha salarial do grupo e foi a mais impactada pelo último PDV, se vê obrigada a cortar custos com treinamento e segurança, refletindo diretamente no índice de acidentes.
A Frune vem denunciando esta situação. No mesmo dia 10, quando ocorreu o último acidente fatal, a federação encaminhou um ofício para a empresa solicitando, em caráter de urgência, a formação de uma comissão para evitar novos acidentes. “É urgente que a Chesf investigue e analise os acidentes ocorridos nos últimos meses e implante as medidas corretivas para evitar novos. Infelizmente, este já é o segundo acidente este ano com as mesmas características, queda de estrutura, o que sugere a falta de habilidades e conhecimentos técnicos por parte dessas empresas que vêm assumindo os serviços de manutenção da Chesf”, relatou no documento.
O Sindeletro lamenta profundamente a perda do trabalhador, vítima de uma relação de trabalho que prioriza o lucro em detrimento da vida. Nossa solidariedade aos familiares e amigos de Tenisson de Jesus. O movimento sindical seguirá lutando para reverter esse cenário cruel de precarização do trabalho e cobrando a responsabilização da Chesf/Eletrobras.
Para tomar as providências necessárias e defender a categoria, o Sindeletro se mantém à disposição dos trabalhadores que estejam em situação de pressão, trabalhando sob condições precárias ou exaustivas. O telefone de contato é (85) 3521.4200.
Sobre a negociação do ACT
Na negociação de sexta-feira (12/05), a Eletrobras não apresentou proposta sequer sobre reajuste salarial. O Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) solicitou a prorrogação do acordo atual para o dia 30/06 e foi atendido. Nova reunião ficou agendada para a próxima sexta-feira (19/05).