Seguindo com a mesma postura intransigente, as terceirizadas da Enel/Coelce foram irredutíveis durante a reunião de negociação realizada nesta terça-feira (04/04): não avançaram em nada, insistiram na última proposta apresentada e deram por encerrada a mesa de negociação. O total desrespeito das empresas, que há mais de um ano arrastam o fechamento da Convenção Coletiva de Trabalho, empurra os trabalhadores para uma situação de maior desvalorização e deixa apenas uma saída para a categoria: fortalecer a mobilização. Somente a luta organizada de forma coletiva poderá garantir direitos!
Sem uma reação coordenada, com efetiva participação, os terceirizados não irão conquistar uma convenção justa, visto que as empresas já provaram repetidas vezes seu descaso com os trabalhadores. É inadmissível a situação em que a categoria chegou, onde está desprotegida pela falta de acordo e onde parte dos trabalhadores está sendo discriminada por ainda não ter recebido sequer o reajuste que algumas empresas já aplicaram em 2022.
Com sua assessoria jurídica, o Sindeletro está avaliando quais os próximos passos que serão tomados, mas a mobilização é fundamental! Não dá para esperar benevolência de patrão, é hora de agir junto ao Sindeletro e provar que nenhuma empresa é mais forte que uma categoria unida! Vale lembrar: foi a força dos trabalhadores que conquistou a última CCT, fechada após audiência de dissídio de greve e sob a pressão do movimento no final de 2020.
Sobre a negociação
Em resposta à reunião anterior (realizada dia 02/03), as empresas negaram todas as alternativas do Sindeletro e afirmaram que não irão avançar para além do que já foi apresentado, reafirmando a última proposta. Segue:
Reajuste salarial de 6% (5,71% referente ao INPC + 0,29% de ganho real)
Além de ser um ganho real ínfimo e vergonhoso, na prática, esse reajuste reduz o salário do eletricista em relação ao salário mínimo, regredindo o poder de compra do trabalhador para os parâmetros de cinco anos atrás.Isso porque, atualmente, o piso salarial da categoria corresponde a 1,49 salário mínimo. Com o reajuste proposto pelas empresas, o piso salarial passa a corresponder 1,44 salário mínimo (mesmo parâmetro de 2018), considerando que o salário mínimo nacional será de R$ 1.320,00 a partir de maio. Um retrocesso que representa 5% de perda, que impacta diretamente no bolso no trabalhador e deixa a categoria ainda mais distante da meta de alcançar um piso salarial de 1,5 salário mínimo ainda neste acordo.
Reajuste de 5,71% (INPC) no vale refeição, seguro e pernoite (ficando R$ 21,03)
A proposta do Sindeletro era de R$ 25,00, sendo reduzida para R$ 23,20, mas mesmo assim não foi aceita.
Sem homologação do Sindeletro
As empresas não querem garantir o acompanhamento do Sindeletro nas rescisões contratuais, o que abre brechas para irregularidades, pois é o sindicato quem assegura ao trabalhador que seus direitos trabalhistas estão sendo respeitados.
Sem alternativa para Semana Espanhola
As empresas negam a alternativa do Sindeletro para a semana espanhola, sem trabalho aos sábados e com compensação durante a semana.