O Sindeletro e o Sindienergia (sindicato patronal) se reuniram no último dia 13/04 para mais uma rodada de negociação sobre a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2022/2024. Na contraproposta, as empresas negaram as novas reivindicações dos trabalhadores, retiraram cláusulas importantes para a categoria e ofereceram reajuste salarial de 10,6% (INPC), sem ganho real e sem nenhum avanço nas demais cláusulas. Nova reunião está agendada para o dia 04/05.
Homologações – Um dos pontos mais preocupantes negados pelo Sindienergia se refere às rescisões contratuais. As empresas não querem garantir a assistência do Sindeletro nas homologações – situação que deixa o trabalhador vulnerável a possíveis irregularidades no pagamento dos direitos. Na avaliação do Sindeletro, é inviável fechar uma convenção sem esta cláusula, que já é garantida na atual CCT e em outros acordos, inclusive com a própria contratante Coelce/Enel. Fica o questionamento: qual interesse das empresas em retirar esta cláusula?
Tíquete Alimentação – Atualmente no valor de R$ 19,90, após a antecipação do reajuste pelo INPC, o vale alimentação/refeição ainda está muito distante do que a categoria necessita, principalmente diante da alta inflação dos gêneros alimentícios, e contrasta muito com o valor pago aos funcionários da Coelce/Enel. Nesta cláusula, o Sindienergia propôs ainda o parcelamento em duas vezes do vale – proposta que o Sindeletro é radicalmente contra.
Reajustes salariais – Para os salários superiores ao piso, o Sindienergia ofereceu apenas o reajuste pelo INPC do período, ou seja, 10,6%. Inicialmente, o Sindeletro havia pedido 4% acima da inflação, mas teve a reivindicação de ganho real negada mesmo rebaixando o percentual para 3%.
Para os pisos salariais por atividade, as empresas ofereceram também apenas o reajuste pelo INPC, proposta que ainda está muito distante de uma das principais metas da categoria: piso salarial dos eletricistas equivalente a dois salários mínimos. O Sindeletro alerta que é urgente avançar nesta cláusula para que a categoria consiga concretizar esse objetivo nas próximas convenções.
Ainda sobre este item, o Sindienergia negou o acréscimo de 1,17 no piso dos eletricistas de emergência e manutenção geral (como ocorre para os profissionais de linha viva) e propôs negociar o reajuste do segundo período do acordo (2023) somente no próximo ano.
Gratificações – As empresas negaram a gratificação para eletrotécnicos, técnicos de segurança e operadores de guindauto que também exercem função de motoristas/motoqueiros – assim como é garantido para eletricistas e leituristas.
Pagamento retroativo – Também foi negada a cláusula que garante o pagamento dos valores retroativos, de natureza salarial ou alimentar.
Despesas com viagens – A proposta das empresas é de R$ 19,90 para almoço/jantar e R$ 49,14 para pernoite, com reajuste pelo INPC no segundo ano do acordo. O Sindeletro não concorda com reajuste somente pela inflação.
Demais pautas – O Sindeletro reforçou outras demandas da categoria (expressas na pauta de reivindicações – clique aqui para acessar), dando destaque para a regularização das escalas de trabalho, redução da jornada e inclusão dos dependentes no plano de saúde.
Escala de trabalho – O Sindeletro frisou, mais uma vez, a urgência de regularizar a escala de trabalho nesta convenção – já que atualmente as empresas aplicam escalas ilegais e sem qualquer acordo com o sindicato dos trabalhadores. O Sindeletro reivindica a implantação da escala 3/2 de forma padronizada para todas as terceirizadas – ressaltando que vem ganhando ações judiciais sobre o tema.
Redução da jornada – Seguindo uma tendência mundial que está se consolidando em várias empresas do Brasil, inclusive a Coelce/Enel, a categoria reivindica a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais de segunda a sexta-feira – excluindo os sábados da jornada.
O Sindeletro seguirá firme na defesa de um acordo justo, condizente com as necessidades dos trabalhadores, e que reconheça o trabalho de uma categoria extremamente desvalorizada no setor elétrico.
Vamos mobilizar! É responsabilidade de cada trabalhador se manter informado sobre a campanha salarial, engajado nas negociações e participativo nas atividades promovidas pelo Sindeletro. Assim, a categoria se apresentará mais fortalecida na mesa de negociação e conseguirá avançar nos debates sobre salários, benefícios e condições trabalho.
Sindeletro na luta com você!