Inaceitável. É assim que podemos descrever a proposta apresentada pela CPFL Renováveis na terceira rodada de negociação sobre o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2021/2022. A reunião aconteceu nesta quarta-feira (25/08) por videoconferência com a participação de dirigentes sindicais e representantes patronais. Rejeitada a proposta pelos sindicatos, nova reunião ficou agendada para o próximo dia 01/09 a fim de dar continuidade às negociações.
Até o momento, a empresa vem desrespeitando sistematicamente o trabalhador ao apresentar somente propostas rebaixadas para o acordo. Um reajuste salarial em 2021 que sequer cobre a integralidade da inflação é um insulto à categoria – além de vale-alimentação/refeição sem ganho real, vale-natal vergonhoso de apenas R$ 185,76 e Programa de Participação nos Resultados (PPR) sem qualquer melhoria. A categoria segue insatisfeita e exige valorização.
Reajuste salarial – A empresa insiste em propor o “parcelamento” do reajuste salarial, sendo de 6% em agosto de 2021 e de 2,82% em janeiro de 2022. Dessa forma, o reajuste do trabalhador totalizaria os 8,99% do IPCA somente no próximo ano – ou seja, a empresa não oferece ganho real e sequer fecha a integralidade da inflação neste ano. Vale ressaltar ainda que o IPCA está menor cerca de 1% em relação ao INPC, que registra 9,85% de inflação no mesmo período. Tudo isso mostra que a proposta de reajuste apresentada está longe de repor as perdas salariais dos trabalhadores. A mesma lógica vale para o auxílio refeição e alimentação, cuja proposta oferece apenas o reajuste pelo IPCA, também sem ganho real, mesmo com a alta desenfreada dos alimentos.
Participação nos Resultados – Na reunião anterior, a empresa havia proposto uma mudança que alterava o potencial de ganho na PPR 2021 com redução no índice multiplicador dos cargos mais altos para melhorar o índice dos demais cargos (máximo de 1,7x e 1,6x, respectivamente). Os sindicatos criticaram a proposta e, nesta última reunião, a empresa resolveu manter o programa exatamente como funciona atualmente: máximo de 2x e 1,5x. Os trabalhadores reivindicam uma divisão justa e um valor mínimo de PPR, tendo como referência um salário de R$ 6.600,00 para os cargos mais baixos.
Assistência Médica Hospitalar – Na segunda negociação, a empresa havia proposto a implantação de co-participação, o que foi rebatido pelos sindicatos. Agora a empresa sugere negociar com as entidades sindicais melhorias no plano de saúde e inserção de fator moderador no decorrer da vigência do Acordo Coletivo. A representação dos trabalhadores concordou com a criação de um grupo para debater o tema.
Lucros bilionários – Os sindicatos destacaram que o resultado financeiro da CPFL Energia, grupo que controla a CPFL Renováveis, mostra a total capacidade da empresa de oferecer uma proposta que atenda minimamente as necessidades de seus trabalhadores. Nada justifica a proposta apresentada. A empresa tem orçamento para avançar no acordo, mas se recusa a usá-lo justamente com as pessoas que geram os lucros bilionários.
Os números evidenciam que, mesmo em pandemia, os resultados financeiros do grupo estão em evolução e alcançam cifras exorbitantes. Em 2020, primeiro ano de pandemia, a CPFL Energia somou o lucro líquido de R$ 3,70 bilhões em 2020, um avanço de 34,9% em relação ao ano anterior. Em 2021 os resultados seguem crescendo: somente no primeiro trimestre deste ano, o grupo registrou lucro líquido de R$ 961 milhões – aumento de 6,3% em relação ao mesmo período de 2020. Já no segundo trimestre de 2021, o lucro foi de R$ 1,126 bilhão, um aumento de 143,6% comparado a 2020.
Segundo o grupo, o bom desempenho das eólicas cumpre papel importante nesses resultados, sendo um dos principais fatores para alcançá-los. Tudo isso prova que a empresa tem orçamento e saúde financeira para acolher as reivindicações dos trabalhadores e evoluir na proposta de acordo coletivo. O Sindeletro, ao lado dos sindicatos dos demais estados, seguirá firme na defesa dos interesses da categoria.