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O que é isso que chamamos de amor? Um sentimento que temos por outra pessoa, de forma despretensiosa, ou seja, que não pede dada em troca, que muitas vezes nos enche de alegria. Que pode ser recíproco, ou seja, você ama e é amado de volta. Que surge sem o seu consentimento, não é algo preparado e que pode ir embora também contra a sua vontade. Mas também pode ser eterno, mesmo que o objeto do seu amor já nem esteja a seu lado ou perto de você.

O amor, o amor verdadeiro, vem a nós por vários caminhos. Mas o amor, mesmo o de pais e mães a seus filhos, entre amantes, entre amigos, é uma construção. Leva tempo, exige paciência, pressupõe respeito, carinho, consideração. Quem respeita, quem cuida, quem considera o outro, está a um passo de encontrar essa coisa tão especial chamada amor.

O amor é algo a ser dado, doado, a um outro alguém. E para isso é necessário se construir uma ponte que te liga a essa pessoa e te permite chegar a ela e ela a você. Desse ponto de vista, muitas pessoas, mesmo tendo a ponte à sua disposição, não querem dar os passos necessários para realizar esse encontro. Nesse caso, o amor não é retribuído, ou nem reconhecido. Construir essa ponte é um exercício diário. Mantê-la também é um desafio contínuo. Exige das duas partes dedicação, apoio, reconhecimento, uma retroalimentação para que o outro não se sinta só na árdua tarefa de seguir, dia a dia, nesse processo, que muitas vezes é difícil, doído, complexo.

Essa coisa que chamamos de amor poderia ser controlado, moldado, limitado? Acredito que não. Da mesma forma, como não podemos saber quando ele vai aparecer, quando ele vai brotar em nossos corações. Ele não é obrigatório, nem natural, como algumas pessoas são levadas a pensar. Muitos dizem que amor de pais e mães é coisa automática pelos filhos – e a mesma coisa de filhos para seus pais e suas mães. Mas não é tão simples assim. Desde a sua concepção o filho está ali, sendo esperado, são 9 meses de uma espera, de muitas dúvidas, de muitas expectativas, de muitos desejos. Ele ou ela nasce e aí vem o primeiro desafio para essa que agora deixa de ser filha e passa a ser mãe. Será que vou dar conta? Será que ele ou ela vai gostar de mim? Será que vai ser saudável? Será que vai ser traquina? Será que vai dar muitos problemas? Será que vai… Tantas questões, tantas dúvidas, mas uma certeza: a construção já está lá, a ponte, que levou 9 meses para ser construída, está pronta. E se essa mãe de primeira hora se permitir, o primeiro passo é dado no momento do primeiro trocar de olhares. No momento em que aquela criaturinha dá o primeiro sorriso, o primeiro bocejo… Tudo é festejado, é motivo de riso e de alegria.

Existe um mistério com a grande maioria das mães. O mistério é como elas mantêm essa alegria em cada momento da vida, como mantêm os laços que foram construídos e não deixam que se percam ao longo dos anos, quando a criaturinha deixa de ser uma bolinha de fofura, passa a ser uma criança com suas peculiaridades e vontades próprias, quando passa a ser adolescente com seus achaques e ataques de tudo, de raiva, de revolta, de dúvidas. Quando passa a ser jovem com seus atos muitas vezes inconsequentes, irresponsáveis, imaturos. Quando passamos a ser adulto insensível, egoísta, presunçoso e distante, mesmo assim, elas estão lá, chamando-o de “meu filhinho”, “meu bebê”. Nos cuidam, nos tratam, nos protegem. Esse é o grande mistério que as mães têm. E por isso que esse amor é tão especial, tão único e inexplicável. Não esqueça nunca de retribuir esse amor, se você tem a felicidade de ter sua mãe ao seu lado – muitos perderam suas mães nesse último ano e muitos filhos se foram sem poder mostrar essa retribuição às suas mães.

Não deixe para amanhã, diga sempre “eu te amo” para quem está ao seu lado hoje.

Uma homenagem do Sindeletro.
(Texto: Luciana Crisóstomo – diretora do sindicato)