O Sindeletro conclama os/as trabalhadores/as das empresas terceirizadas do setor elétrico cearense para que se mobilizem para evitar perdas na próxima Convenção Coletiva de Trabalho (CCT 2018-2020). Na quarta rodada de negociação, realizada no dia 22 de março, o Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia) não escondeu que o objetivo é retirar direitos da categoria e até alterar cláusula que vai reduzir salários.
O Sindienergia propôs a seus empregados reajustar em 2018 os salários apenas com o percentual de 1,87%, equivalente à inflação calculada pelo INPC acumulado no período de fevereiro de 2017 a janeiro de 2018. Se compararmos com relação à última proposta apresentada pelo sindicato patronal na reunião, realizada no dia 26 de janeiro, o piso do eletricista, por exemplo, teria um acréscimo de R$ 2,42.
O Sindeletro considera que o aumento proposto pelo sindicato patronal é irrisório para atender às demandas do/a trabalhador/a e de sua família. Para 2019, o Sindienergia propôs também o reajuste de acordo com a inflação (INPC) apurado no período de fevereiro de 2019 a janeiro de 2020. Como contraproposta, o Sindeletro apresentou o valor de R$ 1.526,36 para o piso do eletricista em 2018.
Confira abaixo os valores dos pisos salariais por atividade propostos na negociação:
|
CARGO |
PROPOSTA PATRÕES ANTERIOR (26/02) |
NOVA PROPOSTA PATRÕES (22/03) |
AUMENTO |
|
|
Administrativos |
R$ 1.155,45 |
R$ 1.157,49 |
R$ 2,04 |
R$ 1.526,36 |
|
Eletricistas |
R$ 1.367,27 |
R$ 1.369,69 |
R$ 2,42 |
R$ 1.526,36 |
|
Eletricistas Linha Viva (1,17 x Eletricista) |
R$ 1.599,72 |
R$ 1.602,54 |
R$ 2,82 |
R$ 1.785,81 |
|
Montador |
R$ 1.367,27 |
R$ 1.369,69 |
R$ 2,42 |
R$ 1.526,36 |
|
Leituristas |
R$ 1.165,07 |
R$ 1.167,13 |
R$ 2,06 |
R$ 1.526,36 |
|
Motoristas Operador de Guindauto |
R$ 1.367,27 |
R$ 1.369,69 |
R$ 2,42 |
R$ 1.526,36 |
|
Técnicos de Segurança |
R$ 1.867,58 |
R$ 1.870,88 |
R$ 3,30 |
R$ 2.084,84 |
|
Eletrotécnico |
R$ 2.163,35 |
R$ 2.167,18 |
R$ 3,83 |
R$ 2.415,02 |
* Com relação ao piso salarial mínimo da categoria, o Sindienergia propôs o valor de R$ 974 em 2018. O Sindeletro apresentou como contraproposta o valor de R$ 1.082,98.
Outra proposta dos patrões vai atingir em cheio aos/às trabalhadores/as que recebem o percentual de periculosidade por trabalharem em áreas de risco. Atualmente, o percentual de 30% incide sobre o total da remuneração (salário base, hora extra, gratificações). O patronato quer alterar a cláusula da periculosidade para que o cálculo do valor da periculosidade seja feito com base apenas do salário base. A mudança acarretará em perda salarial para os trabalhadores.
Na estratégia de retirar direitos de seus empregados, o Sindienergia também quer retirar a cláusula que trata sobre a obrigatoriedade de as homologações de contrato serem feitas no Sindeletro. A proposta apresentada estabelece que esse procedimento só seria realizado no sindicato se o Sindeletro se comprometer a dar plena, total e irrevogável quitação do contrato de trabalho, sem qualquer tipo de ressalva. A proposta retira do empregado o direito de ir à Justiça do Trabalho para contestar alguma pendência deixada pela empresa.
A diretoria do Sindeletro alerta que diante do empenho do Sindienergia em querer retirar direitos dos/as trabalhadores/as terceirizados/as, o que ficou claro nas últimas rodadas de negociação, a categoria precisa atender ao chamamento do Sindeletro e se mobilizar. Em visitas às empresas terceirizadas, os dirigentes sindicais estão conversando com seus trabalhadores para construírem coletivamente mobilizações para que as negociações avancem. A próxima rodada de negociação entre o Sindeletro e o Sindienergia está agendada para o dia 19 de abril, às 9 horas, na sede do Sindeletro.
Principais itens da pauta de reivindicação da categoria e a resposta do Sindienergia
13º Salário – Antecipação da primeira parcela em fevereiro de cada ano. Negado.
Periculosidade – Manutenção da periculosidade calculada sobre a remuneração. Sindienergia quer que o cálculo seja feito sobre o salário base.
Ajuda de custo de viagens – Atualização dos valores para: Café – R$ 15,00 / Almoço – R$ 32,00 / Janta – R$ 32,00 / Pernoite – R$ 95,00. Sindienergia propôs reajuste de 1,87%, equivalente à inflação calculada pelo INPC. Também quer que os deslocamentos do trabalhador entre residência-base e base-residência não tenham ajuda de custo e que os valores pagos a título de despesas de viagens não sejam incorporados ao salário do trabalhador.
Cartão Refeição – Sindienergia propõe reajuste de 1,87%, equivalente à inflação (INPC). Em 2018, o ticket passaria de R$ 13,60 para R$ 13,85. Em 2019, novamente seria aplicada a inflação. Contraproposta do Sindeletro: o valor de R$ 21,50 para 2018 e aplicação da inflação em 2019.
Plano de Saúde – O plano médico será estendido aos dependentes e às empresas arcarão com 90% do seu valor. Negado.
Creche Escola – R$ 310,00, crianças de 3 a 7 anos, o dobro do valor para creche integral para os filhos de 2 meses a 3 anos. Negado.
Assédio Moral – Empresas farão campanha de conscientização e adotarão medidas para coibir essa prática. As vítimas terão atendimento psicológico arcado pela empresa. Negado.