A capacidade do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia) de desrespeitar os direitos dos(as) trabalhadores(as) das empresas terceirizadas é cada vez maior. Na terceira rodada de negociação da nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT 2018-2020), realizada na última segunda-feira (26/02), os representantes do sindicato patronal deram prova que querem humilhar seus empregados ao oferecer um percentual abaixo da inflação para reajustar os pisos salariais por atividade. O Sindienergia propôs apenas 1,69% de reajuste linear correspondente a 90% do INPC no período de fevereiro de 2017 a janeiro de 2018. Para o ano de 2019, o percentual seria o mesmo.
Veja o quadro abaixo com os valores propostos pela empresa:
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CARGO |
SALARIO-2017 |
PROPOSTA DOS PATRÕES PARA 2018 |
AUMENTO |
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Administrativos |
R$ 1.136,25 |
R$ 1.155,45 |
R$ 19,20 |
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Eletricistas |
R$ 1.344,55 |
R$ 1.367,27 |
R$ 22,72 |
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Eletricistas Linha Viva (1,17 x Eletricista) |
R$ 1.573,13 |
R$ 1.599,72 |
R$ 26,59 |
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Montador |
R$ 1.344,55 |
R$ 1.367,27 |
R$ 22,72 |
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Leituristas |
R$ 1.145,71 |
R$ 1.165,07 |
R$ 19,36 |
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Motoristas Operador de Guindauto |
R$ 1.344,55 |
R$ 1.367,27 |
R$ 22,72 |
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Técnicos de Segurança |
R$ 1.836,54 |
R$ 1.867,58 |
R$ 31,04 |
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Eletrotécnico |
R$ 2.127,40 |
R$ 2.163,35 |
R$ 35,95 |
Diante da proposta apresentada bem abaixo da reivindicação dos(as) trabalhadores(as), o Sindeletro apresentou como contrapartida os seguintes valores para os pisos salariais em 2018: Administrativos, Eletricistas, Montador Leituristas, Motoristas Operador de Guindauto = R$ 1.717,20. Para Eletricistas Linha Viva (1,17 x Eletricista) = R$ 2.146,50. Para Técnicos de Segurança e Eletrotécnico = R$ 3.434,40. No ano de 2019, o Sindeletro propôs os mesmos valores da pauta de reivindicação da categoria. Veja no link.
O presidente do Sindeletro, Cesário Macêdo, destaca que a proposta de reajuste abaixo da inflação é um ataque dos patrões aos trabalhadores das empresas terceirizadas do setor elétrico cearense. O dirigente sindical conclama a categoria a se mobilizar contra esse desmando e para evitar retrocessos. O Sindeletro tem defendido historicamente que o piso geral dos terceirizados chegue a dois salários mínimos. “Se aceitarmos a política do patrão, vamos chegar um momento em que vamos ganhar apenas um salário mínimo. Não podemos aceitar e temos que estar preparados e unidos para resistir e pressionar os patrões”. Os diretores do Sindeletro estão visitando as empresas terceirizadas para conversar com os(as) trabalhadores(as) sobre formas de resistência e de luta.
Outras perdas
Na terceira rodada de negociação da CCT 2018-2020, os representantes do Sindienergia também apresentaram o mesmo percentual de apenas 1,69% de reajuste para o cartão refeição e as despesas com viagens. Em números, isso significa que o ticket alimentação diário passará de R$ 13,60 para R$ 13,82, ou seja, apenas R$ 0,22 de aumento. Um aumento irrisório que não permite ao(à) trabalhador(a) se alimentar melhor durante a atividade laboral. O patronato ainda se nega a incluir no novo acordo a cláusula sobre Participação nos Resultados, embora as empresas do setor continuem tendo bons lucros enquanto seus trabalhadores sofrem com o achatamento de seus salários.
Na estratégia de retirar direitos de seus empregados, o Sindienergia também quer alterar a cláusula que trata sobre a obrigatoriedade de as homologações de contrato serem feitas no Sindeletro. Na proposta apresentada, o sindicato patronal estabelece que nesses casos, o Sindeletro dará plena, total e irrevogável quitação do contrato de trabalho, sem qualquer tipo de ressalva. Isso desrespeita fatalmente o direito do(a) trabalhador(a) de questionar judicialmente qualquer pendência em relação a sua demissão.