Sindeletro não convocará nova assembleia sem nova proposta da Energia Pecém

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No dia 10 de dezembro, os trabalhadores da Energia Pecém rejeitaram, em assembleia, a última proposta da empresa para o ACT 2015/2016, que havia sido apresentada em mesa de negociação no dia 26 de novembro. Dentre outros pontos, o reajuste salarial proposto foi de 9,56% (IPCA), retroativo à data-base (agosto/2015). Em relação ao Adicional de Periculosidade, a empresa propôs pagar na forma de Abono Indenizatório o valor equivalente a três salários base para cada um dos empregados que deixaria de receber o adicional a partir de janeiro de 2016.

A proposta da empresa foi negada pelos trabalhadores presentes em assembleia, realizada de maneira legítima e democrática. O Sindeletro convocou a categoria e também realizou reuniões prévias com os empregados nos locais de trabalho, avaliando cada proposta, tirando dúvidas e ouvindo sugestões.

Na manhã de segunda-feira (14/12), o Sindeletro recebeu denúncias de trabalhadores que foram pressionados a assinar um abaixo-assinado que pedia a convocação de uma nova assembleia para deliberar sobre a mesma proposta da empresa. Essa prática tem sido recorrente nos últimos anos e não respeita a decisão soberana da assembleia. Na avaliação do Sindicato, a empresa tem pressionado a categoria a abrir mão dos seus direitos antes mesmo de uma mediação com a Procuradoria Regional do Trabalho (PRT), solicitada pelo Sindeletro no dia 11 de dezembro.

Ainda na segunda-feira (14/12), pela tarde, o Sindeletro foi procurado por um grupo de trabalhadores da Energia Pecém que trazia em mãos o dito documento, pedindo a convocação de uma nova assembleia. O Sindicato explicou ao grupo que não caberia essa ação para discutir o mesmo assunto, pois seria antiético e antidemocrático, considerando também as denúncias recebidas.

Na terça-feira (15/12), um grupo também foi à PRT com um advogado da empresa e, diante do procurador do trabalho, foi feito o contato telefônico agendando uma reunião entre o advogado da empresa e o Sindeletro para a manhã do dia seguinte (16/12) com o intuito de buscar um consenso. No entanto, para surpresa do Sindicato, nem o advogado nem qualquer outro representante da Energia Pecém compareceu à reunião ou forneceu qualquer justificativa para a ausência.

Cabe ao Sindeletro esclarecer que a mediação solicitada à PRT tem o único objetivo de chegar a um consenso com a empresa. Não se trata de dissídio coletivo, como foi apontado pelo grupo que procurou o Sindicato. É apenas uma tentativa de sensibilizar a empresa a melhorar sua oferta, que não mantém o acordo atual na íntegra quando retira o ganho real, muda a data de pagamento dos salários e ainda corta o adicional de periculosidade de parte dos trabalhadores.

Toda campanha salarial gera desgaste e ansiedade na categoria. O Sindeletro entende que todos aguardam o reajuste, mas os trabalhadores não podem aprovar um acordo inferior e se conformar com a simples reposição da inflação quando ainda há possibilidade de melhoria. Também não é possível aceitar que parte da categoria tenha um corte de 1/3 de seu salário, com a retirada do adicional de periculosidade. Precisamos dar um basta na forma como a Energia Pecém tem tratado o trabalhador, sempre negociando com pressão, como ocorreu nos últimos acordos. Vamos juntos lutar em busca de um bom acordo e resguardar conquistas históricas!