Sindeletro cobra medidas urgentes contra assédio na Enel Ceará

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12 de junho de 2026

O Sindeletro vem acompanhando com preocupação o aumento gradativo das denúncias de assédio moral na Enel Ceará. Nos últimos anos, são cada vez mais frequentes os relatos sobre perseguição, abuso de poder, constrangimentos e outras práticas que comprometem a dignidade e a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras. São necessárias medidas imediatas, efetivas e permanentes de combate a essas práticas abusivas.

A pesquisa realizada pelo Sindeletro neste mês de junho confirma a gravidade do problema. Dos 796 trabalhadores da Enel Ceará que responderam ao levantamento, 168 afirmaram já ter sofrido assédio no ambiente de trabalho – o que representa 21,1% dos participantes.

As respostas também indicam que o cenário vem se agravando nos últimos anos, especialmente a partir da contratação de novos trabalhadores pelo programa de internalização. O problema também tem sido identificado durante as recentes visitas do sindicato às bases, onde diversos trabalhadores relatam situações de assédio.

O Sindicato tem repassado esse cenário à direção da Enel e cobrado constantemente providências urgentes. Apesar disso, os casos continuam aumentando de forma sistemática, o que demonstra que a empresa não vem adotando as medidas necessárias para combater o adoecimento do ambiente de trabalho.

Assédio é uma prática grave, capaz de provocar insegurança, medo, ansiedade, queda da qualidade de vida e prejuízos duradouros à saúde física e mental.

Problema já havia sido denunciado em 2016

O problema não é novo na empresa. Em 2016, após denúncias apresentadas pelos trabalhadores e atuação conjunta do Sindeletro e do Ministério Público do Trabalho, a empresa firmou um acordo que estabeleceu o pagamento de uma indenização de R$ 200 mil e uma série de obrigações destinadas ao combate ao assédio moral, como campanhas internas de conscientização e reuniões sobre o tema.

Empresa também possui compromisso previsto no ACT

A Cláusula 30ª do Acordo Coletivo de Trabalho estabelece o compromisso da Enel de:

“Desenvolver campanhas de conscientização e orientação destinadas aos (às) trabalhadores (as) e ao quadro gerencial, sobre temas como assédio moral, assédio sexual, orientação sexual e outras formas de discriminação de sexo, raça, religião ou ideologia, com o objetivo de prevenir atos, posturas e práticas discriminatórias nos ambientes de trabalho, prevenindo a ocorrência de distorções salariais e progressão na carreira.”

Entretanto, diante da repetição dos relatos e do aumento constante das denúncias, o Sindeletro considera evidente que faltam medidas concretas por parte da empresa.

Na Campanha Salarial deste ano, o Sindeletro reivindicará a inclusão de uma cláusula que garanta maior participação do sindicato nos mecanismos de controle, acompanhamento e prevenção dos casos de assédio na empresa – até mesmo para garantir mais transparência e segurança nas apurações.

Sindeletro acionará o MPT

Diante do agravamento do cenário, da repetição dos casos e da falta de respostas efetivas da Enel, o Sindeletro está adotando novas providências.

Está sendo elaborado um relatório por localidade, com informações sobre a quantidade de denúncias recebidas e de trabalhadores afetados. O documento subsidiará uma denúncia formal ao Ministério Público do Trabalho, inclusive fazendo referência ao descumprimento do acordo firmado em 2016.

O Sindeletro não aceitará que trabalhadores sejam submetidos a qualquer forma de violência no ambiente profissional. O combate ao assédio é uma responsabilidade permanente da empresa e continuará sendo uma prioridade na atuação sindical.

NR-1 reforça responsabilidade das empresas

O tema ganhou ainda mais relevância no Brasil com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia a responsabilidade das empresas na prevenção dos riscos psicossociais e dos danos à saúde mental, permitindo fiscalização e aplicação de penalidades.

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos relacionados a transtornos mentais. Os números reforçam a urgência de combater ambientes de trabalho adoecedores.

O Sindeletro seguirá acolhendo as denúncias, cobrando respostas da Enel e adotando todas as medidas necessárias para proteger os trabalhadores.

Se você estiver sofrendo assédio ou presenciar alguma situação abusiva, denuncie e procure o Sindeletro. Não se cale nem se sinta sozinho: o sindicato está ao lado dos trabalhadores, oferecendo acolhimento, orientação e apoio para a adoção das medidas necessárias.