A indignação generalizada dos trabalhadores, acumulada ao longo de dois meses de negociação, ainda não foi suficiente para que a Coelce/Enel se sensibilizasse e apresentasse uma proposta minimamente aceitável nesta quarta-feira (06/01) durante a quinta rodada negocial com o Sindeletro. A empresa insiste em um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que reduz direitos e congela o já defasado poder de compra da categoria. O sindicato se manteve firme na defesa dos coelcianos e nova reunião ficou agendada para o próximo dia 20/01.
A proposta patronal apresentou modificações, mas segue sem garantir aumento real nos salários, cobrindo somente a inflação pelo INPC (4,77%) a partir de janeiro de 2021 e sem retroativo. No pretenso intuito de “compensar” a falta de reajuste nos meses de novembro e dezembro, a empresa propôs o pagamento de um abono de 10% do salário-base a título de reposição. Já para o abono indenizatório tradicional, a Coelce propôs o valor de R$ 1.800,00 (uma redução de quase 44% do valor pago no acordo anterior, que foi de R$ 3.200,00).
O Sindeletro esclarece que esta proposta é inaceitável, pois ataca diretamente o bolso dos coelcianos e está na contramão das expectativas da categoria. Reduzir o abono indenizatório é aumentar a perda salarial, já que se trata de um mecanismo para compensar a ausência de ganho real ao longo do tempo. Além disso, não incorporar o reajuste retroativamente na folha de pagamento (mas somente na forma do abono de 10%, que sequer cobre a inflação do período) gera um impacto negativo nos salários, nas férias, no 13º, no FGTS e na complementação da Faelce. Portanto, o reajuste deve ser pago integrado aos salários e benefícios a fim de evitar prejuízos ao trabalhador.
Apesar dos negociadores da Coelce afirmarem que todo esforço está sendo envidado internamente para atender os anseios dos trabalhadores, o Sindeletro reafirma que a proposta ainda está muito aquém do aceitável e precisa evoluir muito para ficar compatível com as necessidades dos coelcianos. A categoria está completamente insatisfeita com a postura da empresa e os relatos sempre coincidem: os trabalhadores estão inquietos, querem reconhecimento, se sentem desvalorizados e denunciam a contradição entre o discurso e a prática da Coelce.
O Sindeletro reforça que não abrirá mão da manutenção do atual acordo e continuará lutando por melhorias reais para a categoria, que se empenha diariamente de todas as formas para garantir os lucros milionários do grupo Enel. A próxima negociação está programada para ocorrer no dia 20/01 – o sindicato ainda tentou antecipar esta data, mas a Coelce solicitou um prazo maior para apresentar uma nova contraproposta. Até lá, os trabalhadores precisam se manter unidos e mobilizados para que a empresa siga sentindo a intensidade da nossa indignação coletiva. Nenhum direito a menos!