Enel omite pedido de dissídio de greve e tenta desarticular campanha dos trabalhadores

Sindeletro convoca trabalhadores da ECHOENERGIA CE para assembleia próxima terça (15)
11 de abril de 2025
Ação Judicial PLR Chesf: Sindeletro abre cadastro para beneficiários
25 de abril de 2025

No final do expediente da última sexta-feira (11/04), o Sindeletro foi surpreendido com a notícia de que a Enel havia solicitado a mediação da Justiça do Trabalho na negociação do Acordo Coletivo. No contato com o sindicato e na nota oficial, porém, a empresa omitiu também para trabalhadores o que realmente solicitou à justiça: trata-se, na verdade, de um dissídio coletivo de greve, onde a solicitação de mediação é algo secundário. A Enel age de forma desleal, desrespeitosa e antissindical com seus trabalhadores e o Sindeletro.

Entenda
O pedido de mediação, por si só, já não se justificaria, visto que o sindicato sempre manteve aberto o canal negocial, logo comunicando o resultado da assembleia que rejeitou a proposta e solicitando que fosse agendada reunião urgente para retomar as negociações – pedido este que nunca foi sequer respondido pela empresa.

Mas a situação se revelou ainda mais grave. Nesta segunda-feira (14/04), o jurídico do Sindeletro buscou informações sobre o requerimento da empresa na Justiça e verificou que não se trata de pedido de mediação: na verdade, a empresa entrou com dissídio coletivo de greve, solicitando que a Justiça determine que o sindicato se abstenha de praticar “movimento grevista ilegal, inclusive que adote a operação tartaruga ou quaisquer outras medidas que possam causar interrupção e atrasos na prestação de serviços essenciais à população” – o que atenta diretamente contra as liberdades sindicais e contra a própria Constituição Federal, que garante aos trabalhadores o instrumento de greve como direito fundamental.

Para piorar: a empresa ainda pediu aplicação de pena de multa no valor de R$ 1 milhão por dia, em caso de descumprimento – algo impossível para uma entidade que se sustenta apenas por meio das filiações dos trabalhadores.
Isso tudo foi feito mesmo sem sequer ter acontecido uma assembleia deliberativa sobre greve ou qualquer planejamento a respeito de paralisações. Foram realizadas apenas reuniões de mobilização, de teor informativo, onde os trabalhadores discutem estratégias legais para a campanha salarial.

Em resumo: a empresa omitiu que propôs dissídio de greve, informando apenas o pedido de mediação, e ainda prometeu o pagamento das diferenças salariais não negociadas no próximo dia 05/05 – numa manobra feroz para tentar pressionar e desmobilizar a categoria.

É flagrante a atitude antissindical da Enel, que tenta manipular informações e impedir seus trabalhadores de exercer direitos. A empresa quer cercear a luta da categoria. O departamento jurídico do Sindeletro está acompanhando atentamente o processo para garantir que nenhum direito do trabalhador seja suprimido e está se movimentando para que a reunião de mediação aconteça o mais rápido possível.

Ao longo de 7 meses, o Sindeletro defendeu arduamente as reivindicações dos trabalhadores, chegando a ceder em diversos pontos a fim de facilitar o fechamento do acordo, mas a Enel não colaborou, travou o processo e, agora, reafirmando sua intransigência, provou que realmente não valoriza a mesa de negociação direta com os trabalhadores.

Vamos aumentar a pressão! A atitude desesperada da empresa mostra que estamos incomodando, por isso estamos no caminho certo! Seguiremos unidos e firmes na luta por um acordo justo!