Segunda, 30 Janeiro 2017 15:11

Salário mínimo fica abaixo da inflação depois de 20 anos

Com a medida do governo Temer, há uma decaída no poder de compra, resultando num declínio da política de valorização do salário mínimo

 
Fonte: Dieese

O começo do ano trouxe mais uma dor de cabeça para os trabalhadores. Depois de 20 anos, pela primeira vez o salário mínimo ficou abaixo da inflação. O valor passou de R$ 880,00 para R$ 937,00, aumento de 6,48%, ficando abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 6,58% em 2016.

“A partir de um esforço da classe trabalhadora, através de suas centrais e entidades sindicais, o Brasil montou nos últimos anos uma política pública do salário mínimo pela inflação acrescida do Produto Interno Bruto (PIB)”, afirma o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Reginaldo Aguiar.

Segundo ele, essa política possibilitou a distribuição de renda e a diminuição das desigualdades. Em 2017, destaca Aguiar, o salário mínimo volta a ser corroído. “É um prejuízo para sociedade, principalmente para um estado como o Ceará, em que parte significativa da economia é muito dependente dos valores desse salário mínimo. O ganho real era um estímulo, gerando possibilidade de compra que aquecia a economia do estado”, diz.

Conforme nota técnica do Dieese divulgada neste mês de janeiro, 47,9 milhões de pessoas têm rendimento referenciado no salário mínimo, com o incremento de R$ 35,0 bilhões na economia. Segundo o documento, com a revisão atual “o salário mínimo terá acumulado perda, no ano, de 0,1%. Desde 2003, entretanto, o ganho real, ou seja, acima da inflação foi de 77,01%”. O peso relativo da massa de benefícios da previdência equivalentes a até 1 salário mínimo é de 48,3% e corresponde a 68,6% do total de beneficiários.

Para Reginaldo Aguiar o modelo de reajuste deste ano prioriza locais em que a dinâmica econômica já é mais intensa, tirando a possibilidade de crescimento das demais. “Essa perda de 0,90 centavos – porque a inflação foi de 6,58% e o reajuste de 6,48% – impacta o Nordeste e estados como o Ceará, com dinâmica econômica mais fraca”, ressalta.

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