Quarta, 13 Abril 2016 15:34

Em nova mediação, Energia Pecém mostra não ter nenhum respeito pelos empregados

Ontem (12.04), na Superintendência Regional do Trabalho (SRTE), foi realizada nova reunião de mediação entre Sindeletro e Energia Pecém. Mais uma vez, a empresa foi intransigente e não houve acordo. A proposta dos patrões foi um reajuste de 9,76% (IPCA + 0,2% de ganho real) a partir de abril de 2016, com os seguintes condicionantes: reajuste retroativo a agosto de 2015 de apenas 8%. Ou seja, para dar um ganho real de 0,2% a partir de abril de 2016, a empresa quer que o trabalhador tenha um reajuste de apenas 8% entre agosto de 2015 e março de 2016, o que representa um valor 1,56% menor do que a inflação, calculada pelo IPCA.

Trata-se de uma proposta inadmissível! Para dar um ganho real, eles propuseram uma redução salarial em oito meses. Além disso, a empresa também vinculou a proposta ao cancelamento do adicional de periculosidade de 29 trabalhadores, propondo uma redução salarial drástica de uma parte da categoria.

O Sindeletro, obviamente, não concordou com essa proposta. O que a Energia Pecém está fazendo é inaceitável e mostra total falta de respeito em relação aos empregados. Na reunião passada, a entidade tentou manter-se maleável e propôs um ganho real de 0,5% a partir de março de 2016, o que foi rejeitado ontem. Dessa forma, há possibilidade de o Sindicato acatar a sugestão do procurador do trabalho Nicodemos Maia, mediador da reunião anterior, e seguir adiante com greve ou dissídio coletivo.

Mais do que nunca, é preciso que os trabalhadores pressionem os patrões. Eles não têm pudores em reduzir salários, tirar periculosidade de parte da categoria e colocar trabalhador contra trabalhador. O ganho real e a periculosidade são direitos! Sindicato e trabalhadores precisam agora organizar um grande movimento!

Na prática, o que a empresa quer com essa nova proposta?

Na reunião de mediação anterior, realizada na Procuradoria Regional do Trabalho, no dia 5 de abril, a proposta da Energia Pecém era apenas o reajuste do IPCA (9,56%). A proposta de ontem é ainda menor do que a anterior! Com reclamação do Sindeletro de que eles haviam reduzido ainda mais os valores, a empresa resolveu manter também a proposta de reajuste da reunião passada.

No gráfico acima, o Sindeletro faz uma comparação entre a proposta anterior e a nova proposta da empresa, calculadas para um empregado que ganha 3 mil reais. Com a proposta anterior, a trabalhador teria um montante de reajuste anual (12 meses + 13° salário) correspondente a R$ 3.728,40. Com a nova proposta, o mesmo trabalhador acumularia no mesmo período apenas R$ 2.371,20. Em outras palavras, a perda desse trabalhador seria de R$ 1.357,20. Considerando que a empresa possui cerca de 300 funcionários, os patrões teriam uma economia de cerca de R$ 407 mil em cima dos empregados. Isso não pode ser tolerado!

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