Terça, 30 Junho 2015 13:47

Paralisação na Coelce teve adesão de 80% dos trabalhadores no Ceará

Cerca de 80% dos cerca de 1.200 trabalhadores próprios da Coelce – nas áreas de operação, manutenção e administração – paralisaram as atividades, na manhã desta terça-feira (30/6), em todo o Estado. Em Fortaleza, o ato reuniu cerca de 200 trabalhadores, na calçada e no hall da sede central da empresa, por quatro horas.

A mobilização foi uma das saídas encontradas pela categoria para demonstrar sua insatisfação com o andamento do Acordo Coletivo de Trabalho, que aguarda, há seis meses, julgamento no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 7ª Região sem que a empresa demonstre interesse de voltar a negociar e acelerar a conclusão desse processo.

Outros três pontos que mobilizaram a categoria foram: a ameaça de corte de 30% do adicional de periculosidade, o aumento de 17% no plano de saúde e o baixo salário dos engenheiros, inferior ao piso da categoria. Esse cenário de arrocho vai de encontro aos bons resultados divulgados pela própria Coelce, que se prepara para receber, em julho, mais um prêmio da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee). O Prêmio Abradee elege, anualmente, as melhores distribuidoras de energia elétrica do País, tendo a Coelce sido premiada nove vezes consecutivas.

Os resultados positivos também se refletem nos lucros da empresa. Com o aumento da conta de energia em cerca de 40% neste ano, a empresa conseguiu somar lucro líquido de R$ 132 milhões no 1º trimestre de 2015, representando aumento de 103% em relação ao mesmo período do ano passado. Se olharmos para 2014, um ano de dificuldades no setor elétrico brasileiro, também veremos que a Coelce teve o que comemorar. Foram R$ 251,6 milhões de lucros, mais do que o dobro de 2013.

Esses resultados, entretanto, não têm sido compartilhados com a categoria. Pelo contrário, além de negar o ganho real de salário de 1,5%, a empresa investe em estratégias para reduzir a remuneração dos trabalhadores. É essa a tentativa da Coelce ao notificar a categoria, por e-mail, de que o adicional de periculosidade será suprimido em julho. “A empresa não pode economizar dinheiro com os direitos dos trabalhadores. Como dizer para um trabalhador que, da noite para o dia, seu salário terá corte de 1/3?”, questionou Zilnete Lima, presidenta do Sindeletro.

Outro absurdo que recai sobre o trabalhador é o aumento de 17% do plano de saúde. “Esse aumento deve ser bancado pela categoria e pela Coelce. A empresa não pode esquecer que o reajuste salarial da inflação (6,34% pelo INPC), concedido por liminar, é incompatível com o reajuste do plano, devendo ela (Coelce) arcar com esse aumento também”, frisou Cesário Macedo, diretor do Sindeletro.  

Participação externa

A mobilização, realizada em Fortaleza, contou com a participação do mandato do deputado estadual Elmano de Freitas (PT), que enviou Frank Ranier, assessor parlamentar, para prestar apoio aos eletricitários. O presidente eleito da CUT-CE, Wil Pereira, também esteve presente na paralisação, apoiando os eletricitários e se colocando à disposição da categoria em atos futuros. O Sindeletro também registrou a presença de Muniz Mendes, do Sindicato dos Trabalhadores de Fiação e Tecelagem do Ceará.

A paralisação dos trabalhadores também contou a força dos sindicalistas Eduardo Machado e Antonina Mateini, que representam os eletricitários da Ampla, no Rio de Janeiro (empresa do grupo Enel, da qual a Coelce faz parte), além de João Clair Silveira, que é representante dos trabalhadores do setor elétrico do Rio Grande Sul, onde também há empresa do grupo Enel. Eles vieram a Fortaleza para fortalecer a unidade dos trabalhadores do grupo e evitar que medidas que atacam direitos dos trabalhadores sejam aplicadas no Ceará e se irradiem para os demais estados onde a Enel está presente.

Encaminhamentos

Depois dessa ampla mobilização da categoria, a expectativa da diretoria do Sindeletro é de que a empresa buscará retomar o diálogo e buscar uma solução para as principais insatisfações dos trabalhadores. Afinal, numa das melhores empresas para se trabalhar, a satisfação da categoria deve ser priorizada. Caso a Coelce não tome nenhuma iniciativa, o Sindeletro irá provocar novas reuniões com a categoria e definir novos atos.

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