Segunda, 16 Setembro 2019 11:27

Empregado exemplar

O funcionário do Sindeletro Flaviano Lima se aposenta após 38 anos de empenho e dedicação
 
O dia 15 de dezembro de 1980 foi uma data marcante para o jovem de 19 anos Flaviano Lima dos Santos. Esse foi seu primeiro dia de trabalho como contínuo do Sindicato dos Eletricitários do Ceará. Com a carteira assinada a partir de janeiro do ano seguinte, a promessa de melhora de salário, diante do seu empenho, possibilitou que ele escrevesse a sua trajetória de vida junto com a história recente do movimento sindical cearense. Em agosto de 2019, Flaviano decidiu um novo rumo para a sua trilha: a aposentadoria merecida.

O Sindeletro, porém, está marcado com as lembranças das suas brincadeiras entre os colegas, com sua atitude prestativa e com o seu empenho, que deixam saudade nos corredores da entidade. Flaviano chegou antes que toda a atual diretoria do Sindicato e, devido à sua agilidade e conhecimento, exerceu diferentes funções. Além de contínuo, foi motorista, auxiliar na tesouraria e auxiliar administrativo. Também foi responsável em operar o carro de som em assembleias e mobilizações. “No dia 1º. de maio, antigamente não havia carro de som, e o movimento sindical começou a me chamar”, conta.

Também percebeu as mudanças tecnológicas implantadas dentro da entidade. “Os informativos eram feitos no mimeógrafo, que deixavam as unhas machadas de azul. Só depois viemos fazer impressão com as impressoras”, relembra. Durante esse período, acompanhou também os avanços do Sindicato, quando, por exemplo, os trabalhadores da Chesf passaram a ser representados.

Esteve presente nas mais diversas manifestações, desde assembleias a greves longas. A mais marcante, segundo ele, foi em 1988, quando os trabalhadores da Coelce paralisaram durante 22 dias. Viajou pelo interior do Ceará e a alguns estados do Brasil, acompanhando as mobilizações em prol dos trabalhadores.

Sambista desde a adolescência, a preocupação com os rumos do país extrapolaram as letras das músicas que cantava, alegremente, na sua rotina de trabalho. Consciente da importância das mobilizações, ele decidiu se unir com colegas da categoria para fundar a Associação dos Trabalhadores de Classe do Ceará, que depois se tornou sindicato. “O Sindicato dos Eletricitários é uma universidade. O movimento sindical em si é uma universidade. Se você gosta de aprender, aprende. Me senti útil e até hoje eu me sinto”, diz.

Flaviano acompanhou, de dentro da entidade sindical, o fim da ditadura, a criação da Constituição de 1988, as Diretas Já e a eleição à presidência da República de um sindicalista. Acompanhou também a resistência contra a venda da Coelce, no final da década de 1990, e sofreu com a repressão policial durante os atos.

Futuro

“Meu projeto é só descansar, pescar, pegar uma rede gostosa, tomar banho de mar. Pretendo só cuidar de mim”, afirma Flaviano. Para o presidente do Sindeletro, Cesário Macêdo, é uma honra ter tido um funcionário como ele. “É um grande orgulho para a entidade saber que um trabalhador concluiu uma fase do seu período laboral com êxito, recebendo os frutos de anos de dedicação”, diz.


Obrigado, Flaviano!


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