Privatização da Eletrobras ameaça trabalhadores e economia nacional

Outubro
18 de outubro de 2019
Sindeletro conquista ação para 38 terceirizados da Coelce
18 de outubro de 2019

Mesmo sendo uma das estatais mais importantes do país, a Eletrobras está sob a ameaça de desmonte e entrega ao capital estrangeiro pelo governo Federal. No segundo trimestre de 2019, o lucro líquido da empresa foi de R$ 5,5 bilhões, 350% superior em relação ao mesmo período do ano passado.

Para o pesquisador e professor de Economia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fábio Sobral, dentre os principais problemas da venda da Eletrobras estão a dependência do setor energético, a redução da capacidade de arrecadação, a perda de um setor público lucrativo para a iniciativa privada e o risco de desemprego.

“Uma estatal que gera lucro entra positivamente na receita da União, reduzindo a distância entre os gastos e a sua arrecadação. Não faz o menor sentido econômico você abrir mão de uma empresa lucrativa em nome da redução dos gastos públicos. É a mentira mais absurda ”, explica Fábio, que também é professor do curso de Economia Ecológica da UFC.

Segundo ele, o risco é de que o país retorne a um período semelhante ao Brasil Imperial, quando empresas estrangeiras controlavam a energia e os custos da produção nacional. “Voltaríamos a um estágio muito ruim da história brasileira, inclusive quando ocorreram revoltas pela alta do preço da energia, período de controle do setor privado. Quem controla o preço da energia, controla os custos das outras empresas que dependem dela”, explica. Além disso, com a venda de uma estatal, comenta o professor, o Estado deixa de arrecadar, uma vez que empresas multinacionais enviam seus lucros ao exterior.

A diretora do Sindeletro, Luciana Fonseca, destaca que as últimas negociações de acordo coletivo foram as mais difíceis desde os anos 2000. “A nova geração de trabalhadores da Chesf nunca havia passado por um acordo com perdas. Sempre foram de ganhos, com melhoria nos benefícios ou benefícios novos”, afirma. A Eletrobras pretende demitir, até dezembro deste ano, 1.248 trabalhadores da Chesf pelo Plano de Desligamento Consensual (PDC). Atualmente a Eletrobras tem 14.459 funcionários, sendo 3.869 da Chesf no Nordeste. Os números são muito abaixo do que a empresa alcançou na década de 1980, durante a construção da Usina Hidrelétrica de Xingó, quando teve 16 mil trabalhadores.

Fábio Sobral explica que os salários do setor privado são os mais baixos, impactando também na economia, uma vez que a queda da massa salarial influencia na diminuição do poder de compra da população. Já Luciana lembra os problemas vivenciados pelos trabalhadores da Coelce, privatizada em 1998. Nos cinco primeiros anos de privatização, foram 36 acidentes fatais, dos quais 13 ocorreram no primeiro ano de venda da empresa. “Profissionais terceirizados ganham menos, têm menos tempo de treinamento, são mais exigidos fisicamente. Além disso, têm nível de treinamento menor, colocando em risco suas vidas”, afirma.

RESISTÊNCIA

Como forma de reação, estão sendo organizados no Brasil frentes parlamentares para alertar a população sobre os riscos de privatização das estatais. No Ceará, foi lançado o Comitê Estadual em Defesa da Soberania Nacional e Popular no dia 11 de outubro, na Assembleia Legislativa, com o apoio de sindicalistas, movimentos sociais e parlamentares.